Programas de Trabalho no Exterior durante as Férias

Término de contratos faz novas oportunidades serem abertas. Período é bom ainda para intercâmbio, que pode fazer diferença no currículo.

Procura por vagas diminui durante as férias (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Procura por vagas diminui durante as férias (Foto: Katherine Coutinho / G1)

Com vagas sobrando, férias são bom momento para conseguir estágio

Férias são sinônimo de descanso para muitos estudantes universitários. Em Pernambuco, o clima mais ameno do mês de julho pode dar uma vontade maior de ficar na cama, mas para quem nunca estagiou, esse pode ser o momento de conseguir uma vaga. Com contratos terminando devido à conclusão de cursos, novas vagas surgem no mercado, até mais que em períodos letivos. Administração, ciências contábeis e engenharia são ramos que têm tido um maior número de vaga graças a Suape, de acordo com as empresas de estágio no Recife.

A quantidade de vagas aumenta, mas diminui a concorrência. “Existe até uma dificuldade em convocação. As vagas continuam a ser abertas, mas muitos escolhem viajar ou fazem a opção de não querer, para aproveitar o período descanso. Para quem está procurando e nunca estagiou, é uma oportunidade para arriscar mais, vão ter mais vagas disponíveis, menos concorrência”, explica Andréa Lacerda, gerente de seleção e contratação do Centro de Integração Empresa Escola de Pernambuco (CIEE-PE).

A busca por candidatos que correspondam ao perfil pedido chega até mesmo às redes sociais. “A gente entra em contato com os que se registraram, manda e-mail e até mesmo procura e divulga pelas redes sociais. A demanda existe, mas durante as férias é mais difícil atender”, concorda a gestora de desenvolvimento empresarial, responsável também pela área de estágio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Ana Mendonça.

Hugo está entre os que resolveu sair de casa em busca de uma vaga. (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Hugo está entre os que resolveu sair de casa em busca de uma vaga. (Foto: Katherine Coutinho / G1)

Estudante do curso de direito, Hugo Fernando está entre os que resolveram não ficar em casa nas férias. Ansioso por estudar, ele está entregando currículos. “A gente tem que tentar, a vaga não vai cair no nosso colo. Não da para ficar parado”, acredita Hugo. A situação é mesma de Ana Paula Santos, estudante de arquitetura. “Sei que tem exigências, mas tem que tentar. Vai que eu consigo?”, pondera Ana Paula.

Para quem está preocupado por não ter feito cursos extras ou falar uma segunda língua, a dica é dedicação. “O que mais pesa hoje em dia é a questão comportamental, é interesse, disponibilidade, ser mais proativo. Às vezes, exigem algumas coisas, como o AutoCAD, programa mais utilizado pelas empresas de engenharia e arquitetura, são coisas mais técnicas, mas no final, em uma dinâmica, analisa-se essa história de ser interessado, de se expressar bem verbalmente ou escrevendo”, avisa Andréa.

Fazer um curso para se preparar para a vaga e o mercado de trabalho conta também, mas é preciso ter mais que o certificado. “A qualificação de conhecimento é importante, não é só ter um curso, é saber de fato o que você aprendeu, com qualidade. E ter também desenvoltura do querer aprender, é o que vale mais para as empresas. Elas sabem que o importante é o interesse das pessoas, eles dão treinamento, capacitação, mas precisa envolvimento”, pondera Rafaela Albuquerque, analista de projetos do IEL, que trabalha na parte de desenvolvimento de fornecedores, ou seja, preparando pessoas para assumir as vagas.

Para estagiar, é preciso formalizar contrato (Foto: Katherine Coutinho / G1)
Para estagiar, é preciso formalizar contrato (Foto: Katherine Coutinho / G1)

Outro ponto importante para conseguir uma vaga é estar atualizado. “Você precisa saber o que está acontecendo no mundo e também qual a empresa em que está tentando uma vaga. Nunca chegue em uma entrevista sem ter procurado um pouco sobre o local, o que a empresa faz, qual a missão”, alerta Ana, que lembra também os cuidados com contrato. “O ideal é procurar uma empresa que faça a intermediação, para evitar problemas. É preciso respeitar a lei do estágio, o máximo 30 horas semanais”, avisa a gestora.

Cursos gratuitos

Para aqueles que ficam ansiosos e tem dúvidas sobre o que fazer numa entrevista de estágio, o CIEE no Recife tem uma série de cursos rápidos de marketing pessoal, laboratório de português, entre outros. “O Centro de Desenvolvimento de Competências atende os estudantes de baixa renda. Oferece cursos rápidos, entrevista, atendimento ao público. É um reforço para ele ter mais oportunidade de se sair melhor na seleção”, explica Andréa.

As turmas são pequenas e contam com professores voluntários. Os interessados podem acessar o site para conhecer mais sobre os cursos, o que é preciso para poder se inscrever e quando começam novas turmas. Para outras informações, a empresa disponibiliza também o telefone (81) 3421-6516.

Língua estrangeira

Falar uma segunda língua, como o inglês, não tem sido uma exigência das empresas na hora de contratar um estagiário, mas esse sempre é um dos itens que entra como diferencial quando os currículos são analisados. “É sempre interessante ter mais conhecimentos. Se ele tem inglês e o outro não, faz a diferença. Lógico que o comprometimento pesa muito, mas tem esses detalhes que auxiliam”, analisa Rafaela.

Um dos meios de aprofundar os conhecimentos sobre uma língua estrangeira é fazer um intercâmbio. Algumas universidades oferecem programas próprios, mas quem quer aproveitar as férias para viajar, exercitar outro idioma e ainda ganhar algum dinheiro, os programas de trabalho no exterior podem ser a oportunidade.

Tiago em Frisco, nos Estados Unidos. (Foto: Tiago Albuquerque / Arquivo Pessoal)
Tiago em Frisco, nos Estados Unidos. (Foto: Tiago Albuquerque / Arquivo Pessoal)

Sem nunca ter trabalhado na vida, Tiago Albuquerque saiu do Recife e embarcou para a Flórida, nos Estados Unidos, em 2007, onde trabalhou durante três meses em um restaurante italiano à beira mar. “Você convive com pessoas diferentes, com uma cultura diferente. Foi minha primeira experiência profissional, tinha acabado de fazer de 18 anos, nunca tinha trabalhado”, lembra Tiago.

A experiência foi tão positiva que ele embarcou uma segunda vez, em 2009, para trabalhar em uma estação de esqui, em Frisco, no Colorado, também nos Estados Unidos. “Você ganha experiência profissional. Eu melhorei meu idioma, juntei dinheiro para comprar eletrônicos e ir à Disney”, conta Tiago, que é recém-formado em Hotelaria com ênfase em Gastronomia e já está trabalhando.

Para a diretora do programa ‘Work Experience’ [experiência de trabalho, em tradução livre] da IE Intercâmbio, Luciana Gomes, essas são oportunidades para verificar de fato o nível de conhecimento que se tem da língua estrangeira. “Quando chega lá, é que a pessoa percebe que talvez não entenda tanto assim de inglês. É uma experiência que não tem outra igual, é diferente de uma viagem. Vai viver situações, lidar com pessoas, você volta com a cabeça melhor até, a pessoa que é tímida aprende a vencer essa timidez para poder conviver”, explica Luciana.

Podem participar do programa jovens de 18 a 29 anos. As inscrições para participar da seleção para trabalhar nos Estados Unidos em empresas como a Disney e o Parque Universal Studios, entre outros, durante as férias, podem ser feitas pela internet, até este sábado (14). “Não atrapalha os estudos, porque é de dezembro a março o período de trabalho. Torna-se um diferencial para o currículo, demonstra que a pessoa teve iniciativa de enfrentar desafios, porque esse é um desafio”, acredita a diretora. O investimento é a partir de $ 1.999, mais a passagem.

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