É difícil conseguir o primeiro emprego na Irlanda?

Confira exemplos de pessoas que conseguiram e mostraram como fazer a diferença na hora de conseguir o primeiro emprego na Ilha Esmeralda.

Por Ahiani Tavares

O sonho do intercâmbio é muito intenso pela quantidade de experiências que o intercambistas vivencia dia após dia. Escola, amigos, uma nova casa, adaptação a uma cultura diferente e novidades por toda parte tornam a vida do estudante uma grande aventura.  Embora todas as atividades gerem dúvidas e medos, no geral a grande aflição da maioria dos alunos é conseguir o primeiro emprego para manter sua estadia na Irlanda.

Há várias dicas de comportamento para mandar bem em uma entrevista. Inúmeros sites e blogs contam a experiência dos viajantes para conseguir um trabalho e pagar as contas. Por mais interessante que sejam todas as dicas, não existe uma fórmula mágica. O seu grande adversário, provavelmente, será você mesmo. As oportunidades estão lá e há muitas, por sinal. Os fatores que vão influenciar e fazer a diferença são a forma de abordagem, a insistência e um pouquinho de sorte.

Willian Lucas Freire
Willian Lucas Freire

Como um jovem de 23 anos, do interior de São Paulo, recém-chegado na Ilha Esmeralda conseguiria um emprego em uma das mais importantes redes de fast food do mundo? A resposta é: persistência. Durante seis meses, Willian Lucas Freire, aluno da SEDA College, se manteve firme na busca e não desistiu. Recebeu muitas respostas negativas, passou por várias entrevistas e finalmente conseguiu o primeiro trabalho. Um restaurante contratou-o como cleaner – funcionário responsável pela limpeza geral – e, logo seguida como, kitchen porter.

Neste cargo, a principal atividade é lavar pratos e manter a cozinha limpa. O estudante não estava satisfeito e seguiu buscando outras oportunidades. Por insistência, enviava currículos por e-mail e fazia cadastro no banco de currículos de grandes lojas. Meses depois, William foi chamado para uma entrevista no Mc Donald’s. Nesse momento, ele deixou de lado o trabalho no antigo restaurante e seguiu para rede de lanches. “Eu faço de tudo aqui, sou cleaner, kicthen porter e cada dia aprendo um pouco. Aqui é só o começo, além de boa referência para outros lugares onde eu posso vir a trabalhar”, afirma o intercambista, que vive em Dublin há cerca de um ano e dois meses.

Insistência não é tudo: a forma de abordagem também garante um diferencial. Para o casal de brasileiros Stella Mayrink e Rafael dos Santos, ambos 27 anos, há quase três anos a Irlanda era um lugar para viver suas aventuras e viajar, mas a preocupação de se manter no país fez com que eles fossem atrás do sustento. “Em um primeiro momento não foi fácil. Meu inglês não era avançado e as entrevistas pelo telefone eram malsucedidas, mas eu não deixava me abater”, diz Rafael.

Até um dia receber uma ligação de uma empresa que precisava de uma pessoa para trabalhar em Tecnologia de Informação, a sua área de formação e experiência no Brasil. “Eu percebi a necessidade que a empresa tinha de contratar alguém com urgência, marquei com entrevistador em um café e então eu pedi para que eles me dessem uma oportunidade de mostrar que eu tinha o conhecimento e capacidade para trabalhar lá. Fiquei uma semana lá para testes, e quinze dias após eles me contrataram”, declara. Stella também sentiu dificuldades e quase estava desistindo, mas uma iniciativa diferente fez com ela ganhasse pontos. “Comecei a trabalhar como voluntária em um brechó para conseguir experiência.

Logo em seguida, fui atrás de um reconhecido hotel e pedi que eles me dessem uma chance para aprender e quem sabe me contratar. Ganhei experiência, entrei para a escala de funcionários e quando eles iam me contratar, fui indicada para outro trabalho”. Atualmente, Stella trabalha uma grande empresa de produção bolos e doces e Rafael continua como profissional de TI na mesma empresa. Ambos estão estabilizados em seus empregos e tem seus vistos de trabalho. O casal oficializou a união há um ano e estão se preparando para a chegada de um novo integrante na família.

Stella Mayrink e Rafael dos Santos
Stella Mayrink e Rafael dos Santos

Como dica aos recém-chegados, Stella afirma que “a grande sacada das pessoas que chegam aqui é mostrar um diferencial, não adianta entregar milhões de currículos e só mandar por e-mail. Tem que conversar, se apresentar mostrar para o recrutador que você merece esse emprego”, aponta.

De toda forma, estar estudando, aprendendo, trabalhando e vivendo em outro país trará grandes aprendizados e experiências para vida. Aproveitem toda a oportunidade que chegar e se jogue nessa grande aventura que é o intercâmbio.

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