Viajar aprimora nossos conhecimentos

Foi ele, professor Marcello, que me fez enxergar as viagens sob uma nova perspectiva. Confira!

No meu tempo de escola não tinha smartphone (mal tinha celular), tablet, sequer tinha internet direito. 3G era ostentação. Tirar foto da lousa pelo celular, tuitar o conteúdo da aula? Aliás, o que era Twitter?! Era tudo anotado no caderno mesmo. No máximo ia tirar xérox do caderno do amigo quando perdia a aula. Lembro-me que na aula de Geografia (uma das minhas preferidas) tinha que aprender na raça e nos livros [de papel] os nomes dos mares, tipos de relevos, países, suas capitais e assim por diante.

Muitos dos meus amigos não gostavam dessa disciplina. Eu adorava. Principalmente no Ensino Médio, quando encontrei um professor megamaluco, que não nos fazia usar livros e que transformava a lousa na nossa janela do mundo. Ele desenhava o Brasil em forma de coxinha, fazia encenações divertidas, enfim, deixava as aulas interessantes. 

Foi ele, professor Marcello, que me fez enxergar as viagens sob uma nova perspectiva. Desde então, quando viajo, meu maior prazer é conhecer, experimentar, vivenciar tudo o que um dia aprendi nos livros e, principalmente, naquela lousa.

Lake Superior

Por exemplo, lembro-me quando fui a Duluth, em Minnesota. Lá está o Lake Superior, o maior dos cinco Grandes Lagos da América do Norte. É também o maior lago de água doce do mundo pela área de superfície e o terceiro maior de água doce em volume. Foi uma sensação louca estar com meus pés naquela água congelante, ‘sentindo’ algo que aprendi naquela lousa.

Lake Superior, MN (Foto by Marília Maciel)
Lake Superior, MN (Foto by Marília Maciel)

NASA e Galveston Island, no Texas

E quando fui para a NASA e Galveston Island, no Texas, então?! Em primeiro lugar, nunca imaginei que um dia eu pisaria na NASA!  (“Houston, we have a problem!” – sim, eu passei o tempo inteiro falando isso durante o passeio – minha amiga queria me matar – e toda vez que conto que fui lá eu repito a frase. É mais forte do que eu). Foi simplesmente doido ver todos aqueles foguetes ali, bem na minha frente.

NASA, Houston - Saturno V, The Rocket Moon (Foto by Marília Maciel)
NASA, Houston – Saturno V, The Rocket Moon (Foto by Marília Maciel)

Galveston Island

Para completar o passeio, ainda fui à praia em Galveston Island. Mas, não era uma praia qualquer. Era simplesmente no Golfo do México! Sim, eu estava no cantinho que o professor Marcello sempre desenhava, principalmente para falar sobre a Guerra Fria. Eu estava lá, no maior golfo do mundo.

Galveston Island, TX – Golfo do México (Foto by Marília Maciel)
Galveston Island, TX – Golfo do México (Foto by Marília Maciel)

Pra mim, viajar é uma maneira incrível de aprendizado, seja de coisas novas ou de fixação do que já estudamos. Por exemplo, quando se faz um intercâmbio, você quer por em prática o que aprendeu na sala de aula, certo? Quer conversar com nativos, ver se realmente aprendeu alguma coisa. E quando viajamos, não aprendemos só um idioma. É uma oportunidade única de conhecer lugares históricos, de ver como aquela cultura foi iniciada, quais os motivos para os costumes daquela região, o porquê da economia e gastronomia locais… E o relevo, por exemplo, influencia em tudo isso. Então, pra mim, é como se eu entrasse no livro (ou na lousa) e pudesse ver, tocar, sentir como tudo aconteceu. Sou uma pessoa que gosta de tocar nas coisas. Sabe aquela frase que as mães sempre falam “a gente vê com os olhos e não com as mãos”? Nunca funcionou muito bem pra mim.

Tem gente que gosta de visitar cenários de filmes, de livros, de séries… Eu também. Aliás, me emocionei muito quando visitei o Castillo de Montjuïc, em Barcelona . Não que eu tenha estudado sobre ele, mas quando viajei, estava lendo um dos livros da tetralogia “O Cemitério dos Livros Esquecidos“, do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón, que se passa em Barcelona nas décadas de 30 a 50, e um dos cenários é justamente essa fortaleza. A cada passo em torno daqueles muros de pedra, parecia que eu ia encontrar o personagem. Ao avistar o porto lá de cima, fiquei imaginando como ele rolou ladeira abaixo dali, e saiu vivo. A história tão mais sentido pra mim naquele momento.

Também foi incrível conhecer a igreja em que o personagem principal do filme “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, espera pelo carro preto para voltar a Paris dos anos 20.  Eu também fiquei esperando o carro. Não à meia noite porque achei perigoso. Mas seria tudo se ele aparecesse e me levasse para aquela Paris também.

 Nas escadas da igreja do filme Midnight in Paris (Foto by Marília Maciel)
Nas escadas da igreja do filme Midnight in Paris (Foto by Marília Maciel)

Enfim, são tantos momentos marcantes que estudos, livros e filmes me proporcionam durante as viagens que eu ficaria aqui o dia inteiro falando sobre isso.

Mas, e se você pudesse viajar para o cenário de um livro, filme ou mesmo algo que estudou, para onde iria?!

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