Boston

Dizem que os Estados Unidos se tornaram um país tão homogêneo que as cidades só se diferenciam umas das outras por pequenos toques de regionalismo.

Um dos que dão corda a essa provocação é o escritor americano David Sedaris, que ilustra a questão de forma muito curiosa.Descobriu, por exemplo, que Michigan é o único estado do país que permite a cego caçar desacompanhado – o que leva a imaginar o risco de se fazer turismo naquele lugar.

Para quem acha que todas as cidades americanas são tediosamente parecidas, Boston surpreende. Presença obrigatória em qualquer lista das cidades mais cool do país, e muito mais que capital do estado com nome de música cantada pelos Bee Gees, a impronunciável Massachusetts, Boston é a menos americana e a mais brasileira de todas as cidades dos Estados Unidos. Serve ao viajante um coquetel de atrações à prova de ressaca. É uma mistura equilibrada feita à base de história, combinada com generosa dose de metrópole moderna.

Fundada pelos ingleses em 1630, Boston tornou-se o principal centro cultural da América do Norte nos tempos de domínio britânico. Estes, por sua vez, foram convidados a retirar-se em 1776, depois de várias revoltas, entre as quais a célebre Boston Tea Party de 1773, quando colonos americanos invadiram os barcos da Companhia Inglesa das Índias e lançaram o carregamento de chá ao mar.

Durante os séculos 19 e 20, ela virou um centro industrial de peso, atraindo imigrantes de todo o mundo, em especial os irlandeses. Estabelecida em um tempo em que ainda não haviam inventado centros comerciais, automóvel e supermercado, Boston, com seus edifícios históricos, praças antigas e ruas estreitas ao lado de imponentes prédios com arquitetura avançada, é um perfeito exemplo de que o velho e o novo podem conviver em harmonia.

O apelo desenfreado ao consumo e o modelo de vida estressado da civilização americana definitivamente não ditam o tom por lá. Eis a maior graça de Boston – uma cidade que se recusa a ceder totalmente à modernidade, e que se orgulha das construções e do traçado original das ruas seculares. Os 6 milhões de moradores da área metropolitana, apesar de antenados no cotidiano, preservam traços de comportamento herdados dos tempos coloniais.